terça-feira, 1 de junho de 2010

Carta de Intercâmbio

Fim de semana passado, no camping de despedida AFS, me deparo com essa carta que escrevi depois de 15 dias que cheguei aqui nesse país maravilhoso;
"Camping en Suisse

Às vezes é engraçado pensar que estou aqui faz 15 dias. Não parece (e nem é) muito, mas passou muuuito rápido.
Aos meus pais serei eternamente grata por me proporcionarem essa oportunidade. Sei que daqui a algum tempo sentirei muita falta deles, mas isso vai ser importante para mim.
Minha irmã sei que me fará falta. Das besteiras que falamos e da nossa ligaçao que é muito forte. Ela é realmente uma pessoa muito unica para mim.
Quanto a familia, sei que teremos sempre um elo, inevitáel. Isso é muito bom. Me dão todo o apoio que sempre precisei e que vou precisar.
De outras pessoas não sei o que esperar [...] tudo o que temos em comum e o que construimos está por um fio(ou não), só que isso eu só vou descobrir mais tarde.
Abraços sei vai ser dificil de me acostumar sem eles.
Minha família daqui é super simpática e preocupada comigo também, mas não ao ponto de eu nao me sentir independete. É gostoso poder respirar isso, pela primeira vez de verdade talvez...
Já estava mais que na hora né?
O meu objetivo é poder terminar o meu intercambio feliz comigo mesma. Feliz do meu esforço. Feliz com os outros que eu consegui a minha volta.
Vamos ver como eu me saio nessa!!!!
Jú"

Voilà! E lendo isso eu nao conseguia tirar um sorriso do meu rosto. Ver o trabalho feito. Chegar no meu primeiro mes com todas as minhas "expectativas" completas. Ver que esse ano valeu muito a pena. Mesmo que por muitos meses eu achei que nao conseguiria chegar aqui.
Tem coisa mais gostosa do que chegar de viagem na estaçao e o meu pai hospedeiro estar me esperando na plataforma com um sorriso enorme dizendo: vc acha que eu iria deixar a minha filha voltar a pé pra casa com essa chuva??
Ou senão chegar segunda na escola e ter duas meninas da minha classe que gritam e acenam de longe: Jú!!!!
Conversar no skype com uma das minhas melhores amigas no Brasil como se a gente tivesse se visto ontem e rindo que nem bobas, como sempre fizemos.
Descobrir sentimentos inimaginaveis para mim daqueles olhos que, mesmo depois de 10 meses, ainda aparecem nos meus sonhos.

Aí eu olho pro meu quarto e escuto aquela música. Lembro-me do primeiro dia em que vi-lo. O dia que o medo tomava conta de mim e eu lutava para ser forte e sorrir e achar tudo lindo.
10 meses depois. Eu sorrio para o nada e para o tudo. Já é uma constante em mim. Não preciso fazer esforços. Está dentro de mim gostar daqui.
Mas como eu digo aqui, je me réjouis de rentrer (eu fico feliz de voltar), porque afinal lá é a minha casa e as minhas pessoas que eu amo. Mas aqui é a minha segunda casa e eu vou voltar.

E no fim eu me saí muito bem dessa.

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