Sinto-me estranha e acho graça quando algumas palavras não vem na cabeça e depois tudo começa enrolar. Explico contando o que me acontece hoje.
Pela manhã, o professor pede-me para ler alto a questão. E eu com a minha mania de querer ler rápido para acabar logo. "Blablabla...porque isso ocorre com os VREGETAIS?" Pronto. Já comecei rir e não consigo terminar.
Minutos depois. Explicando a questão de matemática e me sai o "paralepepídimo". Que? Como que fala isso mesmo? Palarepepípedo?....PA-RA-LE-LE-PÍ-PE-DO. Ufa.
Aula de história. E naquela época o que os países estavam fazendo. Eu respondendo pra mim baixinho: "neoconolisnismo". Bom, pelo ao menos essa ninguém ouviu. Por sorte o professor falou "neocolonialismo", porque senão eu teria que ver no caderno!
O dia passa. No fim do dia, quando a chuva parou um pouquinho e pude andar pela rua, vem um pingo e cai bem em cima da minha cabeça. Tanto pior pro cabelo e para as pessoas que não gostam disso, mas eu me senti super sortuda. Nos momentos de negação o melhor é tentar tirar proveito de tudo. Esses pensamentos foram interrompidos quando vi uma árvore verdinha com frutinhas vermelhas! Há quanto tempo não via uma dessas!!!ACELORA! Hum, não. Alocera? Alô, cera? Caramba. A-CE-RO-LA. Até conseguir chegar na palavra o pé de acerola já tinha passado e fiquei com preguiça de voltar para roubar uma.
Palavras e palavras...
Juste encore minute, juste encore minute,
Pour me faire une beauté ou pour une cigarette,
Juste encore minute, juste encore minute,
Pour un dernier frisson, ou pour un dernier geste,
Juste encore minute, juste encore minute,
Pour ranger les souvenirs avant le grand hiver,
Juste encore une minute... sans motif et sans but.
(Carla Bruni - La dernière minute)
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
Ponta do Lápis
Resolvi usar lápis. Quando a rotina começa a martelar muito na minha vida, preciso inovar a mínima coisa que seja. No caso, precisei trocar o meu uso contínuo de lapiseiras (que tenho desde os meus 7 anos) por usar lápis.
Lapiseiras são legais. Até o momento em que elas caem da mesa, e todos os grafites que lá estão quebram-se.
E lá fui eu, toda alegre comprar um lápis e um apontador. Não via a hora de usá-los. Nos primeiros minutos é uma coisa deliciosa. Escrever, escrever e quando a ponta começa ficar a desejar, apontá-la. Girando e girando o lápis. Com a maior delicadeza para ficar perfeito. O mundo se resume em deixar aquela ponta a melhor possível.
Até descobrir que deixar o lápis cair é uma decepção. O grafite quebra. E o pior: a ponta quebra! Ainda mais naquela hora em que o professor está ditando rápido e qualquer segundo é crucial.
Bom, aí é só começar a girar de novo. Quem sabe agora eu consigo uma ponta melhor do que a anterior. E então...quebra de novo!!!
Com lápis ou lapiseira, os grafites irão sempre se quebrar. As decepções irão sempre aparecer. Mas pra quem escreve, são essenciais...
Essencial é também esse sentimento com um mero grafite.
Acho que depois disso...prefiro as lapiseiras mesmo. Sem contar que lápis suja o estojo e a borracha.
Metáforas e metáforas...
Lapiseiras são legais. Até o momento em que elas caem da mesa, e todos os grafites que lá estão quebram-se.
E lá fui eu, toda alegre comprar um lápis e um apontador. Não via a hora de usá-los. Nos primeiros minutos é uma coisa deliciosa. Escrever, escrever e quando a ponta começa ficar a desejar, apontá-la. Girando e girando o lápis. Com a maior delicadeza para ficar perfeito. O mundo se resume em deixar aquela ponta a melhor possível.
Até descobrir que deixar o lápis cair é uma decepção. O grafite quebra. E o pior: a ponta quebra! Ainda mais naquela hora em que o professor está ditando rápido e qualquer segundo é crucial.
Bom, aí é só começar a girar de novo. Quem sabe agora eu consigo uma ponta melhor do que a anterior. E então...quebra de novo!!!
Com lápis ou lapiseira, os grafites irão sempre se quebrar. As decepções irão sempre aparecer. Mas pra quem escreve, são essenciais...
Essencial é também esse sentimento com um mero grafite.
Acho que depois disso...prefiro as lapiseiras mesmo. Sem contar que lápis suja o estojo e a borracha.
Metáforas e metáforas...
terça-feira, 1 de junho de 2010
Carta de Intercâmbio
Fim de semana passado, no camping de despedida AFS, me deparo com essa carta que escrevi depois de 15 dias que cheguei aqui nesse país maravilhoso;
"Camping en Suisse
Às vezes é engraçado pensar que estou aqui faz 15 dias. Não parece (e nem é) muito, mas passou muuuito rápido.
Aos meus pais serei eternamente grata por me proporcionarem essa oportunidade. Sei que daqui a algum tempo sentirei muita falta deles, mas isso vai ser importante para mim.
Minha irmã sei que me fará falta. Das besteiras que falamos e da nossa ligaçao que é muito forte. Ela é realmente uma pessoa muito unica para mim.
Quanto a familia, sei que teremos sempre um elo, inevitáel. Isso é muito bom. Me dão todo o apoio que sempre precisei e que vou precisar.
De outras pessoas não sei o que esperar [...] tudo o que temos em comum e o que construimos está por um fio(ou não), só que isso eu só vou descobrir mais tarde.
Abraços sei vai ser dificil de me acostumar sem eles.
Minha família daqui é super simpática e preocupada comigo também, mas não ao ponto de eu nao me sentir independete. É gostoso poder respirar isso, pela primeira vez de verdade talvez...
Já estava mais que na hora né?
O meu objetivo é poder terminar o meu intercambio feliz comigo mesma. Feliz do meu esforço. Feliz com os outros que eu consegui a minha volta.
Vamos ver como eu me saio nessa!!!!
Jú"
Voilà! E lendo isso eu nao conseguia tirar um sorriso do meu rosto. Ver o trabalho feito. Chegar no meu primeiro mes com todas as minhas "expectativas" completas. Ver que esse ano valeu muito a pena. Mesmo que por muitos meses eu achei que nao conseguiria chegar aqui.
Tem coisa mais gostosa do que chegar de viagem na estaçao e o meu pai hospedeiro estar me esperando na plataforma com um sorriso enorme dizendo: vc acha que eu iria deixar a minha filha voltar a pé pra casa com essa chuva??
Ou senão chegar segunda na escola e ter duas meninas da minha classe que gritam e acenam de longe: Jú!!!!
Conversar no skype com uma das minhas melhores amigas no Brasil como se a gente tivesse se visto ontem e rindo que nem bobas, como sempre fizemos.
Descobrir sentimentos inimaginaveis para mim daqueles olhos que, mesmo depois de 10 meses, ainda aparecem nos meus sonhos.
Aí eu olho pro meu quarto e escuto aquela música. Lembro-me do primeiro dia em que vi-lo. O dia que o medo tomava conta de mim e eu lutava para ser forte e sorrir e achar tudo lindo.
10 meses depois. Eu sorrio para o nada e para o tudo. Já é uma constante em mim. Não preciso fazer esforços. Está dentro de mim gostar daqui.
Mas como eu digo aqui, je me réjouis de rentrer (eu fico feliz de voltar), porque afinal lá é a minha casa e as minhas pessoas que eu amo. Mas aqui é a minha segunda casa e eu vou voltar.
E no fim eu me saí muito bem dessa.
"Camping en Suisse
Às vezes é engraçado pensar que estou aqui faz 15 dias. Não parece (e nem é) muito, mas passou muuuito rápido.
Aos meus pais serei eternamente grata por me proporcionarem essa oportunidade. Sei que daqui a algum tempo sentirei muita falta deles, mas isso vai ser importante para mim.
Minha irmã sei que me fará falta. Das besteiras que falamos e da nossa ligaçao que é muito forte. Ela é realmente uma pessoa muito unica para mim.
Quanto a familia, sei que teremos sempre um elo, inevitáel. Isso é muito bom. Me dão todo o apoio que sempre precisei e que vou precisar.
De outras pessoas não sei o que esperar [...] tudo o que temos em comum e o que construimos está por um fio(ou não), só que isso eu só vou descobrir mais tarde.
Abraços sei vai ser dificil de me acostumar sem eles.
Minha família daqui é super simpática e preocupada comigo também, mas não ao ponto de eu nao me sentir independete. É gostoso poder respirar isso, pela primeira vez de verdade talvez...
Já estava mais que na hora né?
O meu objetivo é poder terminar o meu intercambio feliz comigo mesma. Feliz do meu esforço. Feliz com os outros que eu consegui a minha volta.
Vamos ver como eu me saio nessa!!!!
Jú"
Voilà! E lendo isso eu nao conseguia tirar um sorriso do meu rosto. Ver o trabalho feito. Chegar no meu primeiro mes com todas as minhas "expectativas" completas. Ver que esse ano valeu muito a pena. Mesmo que por muitos meses eu achei que nao conseguiria chegar aqui.
Tem coisa mais gostosa do que chegar de viagem na estaçao e o meu pai hospedeiro estar me esperando na plataforma com um sorriso enorme dizendo: vc acha que eu iria deixar a minha filha voltar a pé pra casa com essa chuva??
Ou senão chegar segunda na escola e ter duas meninas da minha classe que gritam e acenam de longe: Jú!!!!
Conversar no skype com uma das minhas melhores amigas no Brasil como se a gente tivesse se visto ontem e rindo que nem bobas, como sempre fizemos.
Descobrir sentimentos inimaginaveis para mim daqueles olhos que, mesmo depois de 10 meses, ainda aparecem nos meus sonhos.
Aí eu olho pro meu quarto e escuto aquela música. Lembro-me do primeiro dia em que vi-lo. O dia que o medo tomava conta de mim e eu lutava para ser forte e sorrir e achar tudo lindo.
10 meses depois. Eu sorrio para o nada e para o tudo. Já é uma constante em mim. Não preciso fazer esforços. Está dentro de mim gostar daqui.
Mas como eu digo aqui, je me réjouis de rentrer (eu fico feliz de voltar), porque afinal lá é a minha casa e as minhas pessoas que eu amo. Mas aqui é a minha segunda casa e eu vou voltar.
E no fim eu me saí muito bem dessa.
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